A ciência tem investigado cada vez mais a relação entre substâncias químicas presentes no nosso cotidiano e o risco de doenças hormonais, incluindo o câncer de mama. Entender esse tema é um passo importante para cuidar da sua saúde de forma mais consciente.
Disruptores endócrinos são substâncias químicas capazes de imitar, bloquear ou alterar a ação natural dos hormônios no organismo. Elas interferem no sistema endócrino, que é responsável pela produção e regulação de hormônios como o estrogênio e a progesterona. Essas substâncias podem estar presentes em objetos e produtos que usamos com frequência no dia a dia, como plásticos, pesticidas, cosméticos, produtos de limpeza, embalagens de alimentos e até na poluição ambiental.
A mama é um tecido sensível às variações hormonais, especialmente ao estrogênio. Alguns disruptores endócrinos têm características moleculares semelhantes a esse hormônio e podem se comportar como "falsos estrogênios" dentro do organismo, interferindo em processos biológicos importantes.
Além disso, muitos desses compostos são lipossolúveis, ou seja, têm afinidade pelo tecido gorduroso. Como a mama possui uma quantidade significativa de gordura, essas substâncias podem se acumular ao longo dos anos.
A ciência ainda está investigando a extensão desse impacto. O que já sabemos é que a exposição prolongada e acumulada a determinados disruptores endócrinos pode contribuir para o aumento do risco de doenças hormonais, incluindo o câncer de mama.
Entre as substâncias mais estudadas estão:
• Bisfenol A (BPA): presente em embalagens plásticas, recipientes de alimentos e garrafinhas
• Ftalatos: utilizados em cosméticos, perfumes e alguns plásticos flexíveis
• Parabenos: conservantes comuns em cremes, shampoos e maquiagem
• Pesticidas organoclorados: como o DDT, ainda detectável em algumas regiões
• Dioxinas: subprodutos de processos industriais e da queima de lixo
Não estou dizendo que um creme ou uma garrafa plástica isoladamente vai causar câncer de mama. A medicina não funciona de forma tão direta. O que estou dizendo é que a exposição acumulada ao longo de anos merece atenção.
• Prefira recipientes de vidro, aço inoxidável ou cerâmica para armazenar alimentos
• Evite aquecer alimentos em embalagens plásticas
• Opte por cosméticos com listas de ingredientes mais curtas e naturais
• Prefira alimentos orgânicos sempre que possível
• Mantenha uma alimentação variada e rica em vegetais
A informação não deve gerar medo. Deve gerar consciência. Cuidar da saúde da mama também é cuidar do ambiente em que vivemos.
Fonte
EVE, A. et al. Endocrine Disruptors and Breast Cancer Risk: A Complex Story. International Journal of Molecular Sciences, 2020.
Este artigo tem caráter educativo e não substitui a avaliação médica. Se você tem dúvidas sobre saúde da
mama, consulte um especialista.
Dr. Maurício Magalhães Costa
Mastologista e Ginecologista