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Ozempic e câncer de mama: o que os estudos dizem agora

Ozempic e câncer de mama: o que os estudos dizem agora

Novos dados apresentados no maior congresso de oncologia do mundo estão acendendo uma discussão importante: os medicamentos para emagrecimento da classe dos agonistas GLP-1, como o Ozempic e o Wegovy, podem ter um papel na redução do risco de câncer de mama?

O que foram apresentados no ASCO 2026
Em junho de 2026, três estudos foram apresentados no congresso anual da American Society of Clinical Oncology (ASCO), em Chicago, trazendo dados promissores sobre o uso de agonistas GLP-1 e o câncer.

O primeiro estudo, conduzido pela Dra. Elizabeth McDonald da Universidade da Pensilvânia, analisou retrospectivamente mais de 110 mil mulheres entre 45 e 80 anos. O resultado: aquelas que usavam medicamentos GLP-1 tinham 30% menos chance de desenvolver câncer de mama em comparação com as que não usavam.

O segundo estudo, com cerca de 27 mil pacientes com câncer de mama, mostrou que adicionar um agonista GLP-1 ao tratamento padrão estava associado a uma redução de 30% no risco de morte pela doença.

O terceiro, conduzido pela Cleveland Clinic com 12 mil pacientes oncológicos, observou que usuárias de medicamentos GLP-1 tinham entre 38% e 50% menos chance de progredir para doença em estágio 4 em cânceres de mama, pulmão, intestino e fígado.

O que explica esses resultados?
Os agonistas GLP-1 são conhecidos pela eficácia no emagrecimento. E o excesso de peso é um fator de risco estabelecido para o câncer de mama, especialmente após a menopausa, principalmente por intensificar o estado inflamatório crônico do organismo e aumentar os níveis circulantes de estrogênio.

A redução da gordura corporal, da inflamação sistêmica e da resistência à insulina promovida por esses medicamentos pode, portanto, contribuir indiretamente para reduzir o risco oncológico.

Além disso, pesquisadores suspeitam que os agonistas GLP-1 possam ter efeitos diretos sobre células tumorais, por vias que ainda estão sendo investigadas.

Importante: são estudos observacionais
É fundamental deixar claro que os três estudos apresentados no ASCO são observacionais, não ensaios clínicos randomizados. Isso significa que eles identificam associações, mas ainda não confirmam uma relação de causa e efeito de forma definitiva.

A própria Dra. McDonald foi precisa ao afirmar: "Nosso estudo não confirma definitivamente uma associação, mas adiciona evidências a um conjunto crescente de dados sugerindo que vale a pena investigar esses medicamentos como ferramentas de prevenção ao câncer."

A ciência está avançando rapidamente nessa direção. Após mais de 40 anos acompanhando a evolução da mastologia, posso dizer com convicção: estamos mais perto do que nunca de novas fronteiras no tratamento e na prevenção do câncer de mama.

O que isso significa na prática?
Esses dados não indicam que toda mulher deva iniciar o uso de Ozempic ou Wegovy com o objetivo de prevenir o câncer de mama. O uso dessas medicações tem indicações específicas e precisa sempre ser avaliado por um médico, considerando o histórico clínico de cada paciente.

O que esses estudos nos mostram é que a relação entre peso corporal, inflamação, metabolismo e risco oncológico é real e merece cada vez mais atenção. Cuidar do peso não é apenas uma questão estética. É uma estratégia de saúde.


Fontes
• MCDONALD, E. et al. GLP-1 Receptor Agonists and Breast Cancer Risk: Analysis of the UK Clinical Practice Research Datalink. Presented at ASCO Annual Meeting, 2026.

• NANNI, O. et al. Semaglutide Treatment Is Associated with Reduced Mortality in Patients with Breast Cancer: A Retrospective Cohort Study. Presented at ASCO Annual Meeting, 2026.

• CHAO, E. C. et al. Effect of GLP-1 Receptor Agonists on Breast Cancer Progression: A Multicenter Retrospective Study. Presented at ASCO Annual Meeting, 2026.



Este artigo tem caráter educativo e não substitui a avaliação médica. Se você tem dúvidas sobre saúde da mama, consulte um especialista.

Dr. Maurício Magalhães Costa
Mastologista e Ginecologista

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