"Minha mãe teve câncer de mama. Eu também vou ter?" Essa é uma das perguntas que
mais aparecem no consultório. E a resposta precisa ser dada com muito cuidado.
Cerca de 10 a 15% dos casos de câncer de mama têm relação hereditária, ou seja, estão
ligados a uma mutação genética confirmada, como as mutações nos genes BRCA1 e BRCA2. A grande maioria dos casos, mais de 80%, ocorre em mulheres sem nenhuma história familiar relevante e sem mutação genética conhecida.
Isso não significa que a genética não seja importante. Quando existe histórico familiar de câncer de mama, especialmente em mãe, irmã, filha ou avó, e especialmente em idade jovem, essa informação precisa ser considerada com atenção na avaliação de risco.
Mas o risco de uma mulher não depende de um único fator.
A avaliação de risco para o câncer de mama é multifatorial. Entre os principais fatores que
consideramos:
• Histórico familiar e hereditariedade
• Idade e fase hormonal da vida
• Número de ciclos menstruais ao longo da vida
• Uso de hormônios exógenos
• Peso corporal e índice de massa corporal
• Exposição a fatores ambientais e disruptores endócrinos
• Biópsias anteriores com atipia ou lesões de alto risco
• Densidade mamária nos exames de imagem
Por isso, utilizamos modelos matemáticos validados internacionalmente, como o Índice de Gail, o modelo IBIS e o BOADICEA, para estimar o risco individual de cada paciente e personalizar o acompanhamento.
Ter uma mãe ou irmã que teve câncer de mama aumenta o risco, mas não significa que a doença vai se desenvolver. Significa que é necessário um acompanhamento mais atento, possivelmente com início mais precoce do rastreamento, exames complementares e, em alguns casos, investigação genética.
Por outro lado, não ter histórico familiar não elimina o risco. A maioria das mulheres que desenvolvem câncer de mama não tem parentes com a doença.
O mais importante não é viver com medo. É conhecer o seu risco real e agir a partir daí, com o acompanhamento de um mastologista de confiança.
Se você tem histórico familiar de câncer de mama, marque uma consulta para que possamos avaliar o seu caso de forma individualizada, definir os exames adequados e traçar a melhor estratégia de rastreamento para você.
Fontes
• COSTA, M. M. Câncer de Mama: Aprendendo a Prevenir e Cuidar. Editora Saúde, 2022.
• GAIL, M. H. et al. Projecting Individualized Probabilities of Developing Breast Cancer for White Females Who Are Being Examined Annually. Journal of the National Cancer Institute, 1989.
• TYRER, J. et al. A Breast Cancer Prediction Model Incorporating Familial and Personal Risk Factors. Statistics in Medicine, 2004.
•LEE, A. J. et al. BOADICEA: A Comprehensive Breast Cancer Risk Prediction Model Incorporating Genetic and Nongenetic Risk Factors. Genetics in Medicine, 2019.
Este artigo tem caráter educativo e não substitui a avaliação médica. Se você tem dúvidas sobre saúde da
mama, consulte um especialista.
Dr. Maurício Magalhães Costa
Mastologista e Ginecologista